Sebastião Salgado (1944–2025) nasceu em Aimorés, Minas Gerais. Licenciou-se em Economia, fez mestrado na Universidade de São Paulo e doutorou-se na Universidade de Paris, tudo na área de Economia.
A ida para Paris em 1969 foi por asilo político no seguimento da ditadura militar brasileira.
No âmbito do seu trabalho como secretário para a Organização Internacional do Café (OIC) e viajou para trabalho para a África onde fez sua primeira sessão de fotos, nos anos 70, com uma Leica. Fotografar o inspirou-o tanto que em 1973 se tornou independente, como fotojornalista.
Foi um dos mais reconhecidos fotógrafos documentais do mundo. Autor de uma vasta obra a preto e branco, percorreu mais de 120 países, retratando a dignidade humana, as migrações, o trabalho, a pobreza e as injustiças sociais. Entre os seus projetos mais marcantes destacam-se Trabalhadores, Êxodos e Génesis.
Distinguido internacionalmente e Embaixador da Boa Vontade da UNICEF, desenvolveu também um importante trabalho ambiental através do Instituto Terra, que fundou com a sua mulher (designer e ambientalista) Lélia Wanick Salgado.
Todos os Meus Gatos é mais um livro sobre animais e, sobretudo, sobre a forma como eles espelham as fragilidades, afetos e as contradições humanas. À semelhança do que acontecia em Cães Maus Não Dançam, aqui o registo é mais melancólico, íntimo e existencial.
Entre gatos, memórias, ternura, humor e episódios do quotidiano, Bohumil Hrabal constrói uma reflexão sobre a solidão, a fragilidade da vida, a liberdade e os afetos.
Hrabal da República Checa, é um dos grandes nomes da literatura centro-europeia do século XX, a sua escrita mistura ironia, absurdo e poesia, tendo uma extraordinária capacidade para encontrar humanidade nas pequenas cenas da vida comum.
de Margarida Fonseca Santos ed: Oficina do Livro, 2026
Livro vencedor do Prémio Literário João Gaspar Simões atribuído pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Neste livro vivem as portas que a memória não fecha.
Este é um romance de vozes entrelaçadas em torno de Deolinda, a criada-menina que acompanha uma família ao longo de toda a sua vida. Como tantas crianças-mulheres da história portuguesa, foi arrancada cedo à infância para servir, crescer depressa e aprender o silêncio. Ficou, assim, inscrita na intimidade das casas e das memórias, presença discreta e indelével.
À volta de Deolinda gravitam histórias marcadas pela violência dos afetos e dos tratos, atravessando famílias ricas e pobres, e deixando feridas que o tempo não apaga. O romance revela como essa violência molda destinos, contamina futuros e se perpetua, invisível, geração após geração.
As três personagens encontram-se na escrita. Escritor e editora confundem-se, fundem-se, e é desse encontro que nasce a vertigem do sofrimento — dita, escrita, finalmente escutada.
Obra distinguida por unanimidade pelo júri do Prémio Literário João Gaspar Simões, que destacou "a qualidade da estrutura formal", "a inteligência da estratégia narrativa" e "a dimensão sociológica da obra, que problematiza a relação entre indivíduo, memória e comunidade".