"Os Substitutos"
de Bernardo Carvalho
ed: Companhia das Letras, 2025
Tudo começa com uma viagem: no tempo e no espaço, na imaginação e na memória. Em plena ditadura brasileira, um pai e o seu filho de onze anos sobrevoam, num bimotor, o coração da floresta amazónica.
O pai, dado a excessos anímicos, mantém ligações obscuras aos militares que apoiam o governo. O filho, desamparado, embrenha-se obsessivamente na leitura de um romance de ficção científica sobre a demanda por um planeta substituto da Terra. Entre os dois, a comunicação é cada vez mais falha. Até que, à chegada a uma das fazendas que pontuam a Amazónia, um episódio terrivelmente violento vai deixar marcas que ficarão para sempre.
Mergulho na história moderna do Brasil, com uma sucessão de acontecimentos perturbadores e uma galeria de personagens sinistras, Os substitutos é também a demanda feroz e comovente pelo que (des)une dois homens. Bernardo Carvalho alcança aqui o lugar mais íntimo da sua obra, já que é entre pais e filhos que se estabelece a mais complexa das relações humanas.
Os elogios da crítica:
«Se tudo neste romance é espelho e comentário de uma outra coisa […], tudo reflete também a complexidade do mundo em chamas no qual vivemos. O entendimento das relações interrompidas e insatisfatórias, e do inconsolável desejo que lhes está no núcleo, torna Bernardo Carvalho um dos melhores romancistas contemporâneos, no Brasil e no mundo.» Benjamin Moser
«O ficcionista brasileiro actual mais interessante. [Este romance é] uma relojoaria minuciosa sobre substituições: a substituição de um pai por um filho, de um planeta A por um planeta B, da ditadura militar pela democracia […]. E é incrível como tudo bate certo.» Pedro Mexia
«Neste romance, somos levados numa viagem pelo interior do Brasil e por uma complexa narrativa por onde passam temas como a memória, a moral e a ética, a devastação amazónica, o genocídio dos povos indígenas durante a ditadura militar brasileira e a reparação dos abusos do passado. Se agirmos por vingança, conseguimos alguma vez sair de onde estamos encurralados?» Isabel Coutinho, Público
in: penguinlivros.pt
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